Entenda em 7 pontos por que Putin agiu contra a Ucrânia

A crise na Ucrânia começou a escalar em meados de novembro de 2021 e, desde dezembro, os Estados Unidos anunciam que uma invasão da Rússia ao país vizinho é “iminente”. A tensão se intensificou esta semana, quando o presidente russo, Vladimir Putin, decidiu reconhecer a independência de duas regiões separatistas no leste da Ucrânia, um movimento que pode servir de pretexto para a entrada de tropas russas no país.
As hostilidades entre Rússia e Ucrânia não são novas e remontam ao fim da Guerra Fria. Mas uma série de acontecimentos recentes, que incluem crises internas, expansão de esferas de influência e revoltas pró-democracia ajudam a explicar por que Putin escolheu este momento para avançar novamente contra seu vizinho.

1. A visão de “um só povo”

Em discurso à nação nesta segunda-feira, 21, Putin fez questão de contestar o status da Ucrânia enquanto nação soberana. “A Ucrânia nunca teve uma tradição de um Estado genuíno”, afirmou, acrescentando que a Ucrânia moderna “foi inteiramente criada pela Rússia comunista” e atribuindo à Vladimir Lênin a “autoria” do país.

2. Expansão da Otan

O interesse ucraniano de entrar para a Otan vem sendo apontado como a principal causa da crise. Para a doutora em Ciência Política e membro do think tank russo Russian International Affairs Council Ekaterina Chimiris, no entanto, essa possível candidatura não é a única razão para o conflito. “Motivos adicionais são a expansão da Otan para outros países e forças nativas adicionais da Otan perto de nossas fronteiras”, afirma.

3. O fator Zelenski

A relação da Rússia com os dois presidentes ucranianos mais recentes também podem ajudar a explicar a crise, defende Marples.

Empossado após as revoltas civis de 2013-2014, Petro Poroshenk baseou sua campanha no tripé “nação, igreja e exército”, uma postura abertamente hostil à Moscou, explica. Ele também teria ignorado o compromisso da Ucrânia com os Acordos de Minsk de 2015, falhando em conceder autonomia às regiões de Donetsk e Luhansk, reconhecidas pelo presidente russo esta semana.

E embora sua derrota tenha sido vista de maneira positiva por Moscou, o novo presidente eleito, Volodmir Zelenski, decidiu dar continuidade às políticas do seu antecessor. Ele também reprimiu apoiadores russos dentro de seu país, fechou um popular site pró-Rússia, e colocou a principal figura política pró-Rússia, Viktor Medvedchuk, em prisão domiciliar.

4. Ameaças no quintal

A ameaça à Ucrânia também é uma tentativa de reverter uma tendência anti-russa entre os vizinhos de Moscou, defende Marples.

Em Belarus, manifestantes se reuniram em protestos massivos contra o presidente Alexander Lukashenko, aliado de Putin, enquanto a principal rival do ditador, Sviatlana Tsikhanouskaya, percorria a Europa pedindo apoio de países ocidentais. No final de 2021, o governo do Casaquistão, liderado por outro aliado da Rússia, Nursultan Nazarbayev, também enfrentou grandes revoltas. E embora nenhum dos movimentos tenha alcançado algum sucesso, Putin não ignora que há um grande descontentamento em ambos os Estados. Ele atribui a instabilidade à interferência ocidental.

5. Crises internas

Putin enfrenta suas próprias questões internas. A Rússia tentou mostrar força durante a pandemia de covid-19, buscando liderar a corrida pelas vacinas, mas o fármaco desenvolvido no país caminhou pouco no mundo. Além disso, a Rússia foi um dos países mais atingidos pela doença, apesar dos esforços para mascarar parte desses dados.

A economia também entra no jogo. “Putin planejou mudanças constitucionais para se manter no poder indefinidamente. Mas a Rússia é uma potência de armas nucleares com um exército poderoso que não pode competir economicamente como uma grande potência. Sua economia é baseada em recursos não renováveis e seu PIB é cerca de metade do do Estado da Califórnia”, explica Marples. “Assim, crises econômicas cíclicas, causadas pela alta e queda dos preços do gás e do petróleo, são inevitáveis e prejudicam a popularidade de Putin. Um sucesso de política externa poderia diminuir esses problemas em casa, é uma política frequentemente usada por líderes ditatoriais.”

6. Aprovação popular

Em 2021, a confiança em Putin caiu para seu nível mais baixo desde 2012, indicam dados do Levada Center, uma organização de pesquisa russa independente. À época, o estudo descobriu que 53% dos entrevistados confiavam no líder russo, contra 71% em setembro de 2017.

7. Demonstração de força

Mas especialistas pontuam que a principal motivação de Putin, neste momento, é a demonstração de força contra as potências ocidentais, em um esforço com fins tanto internacionais quanto internos.

“O principal objetivo da Rússia agora é, de alguma forma, mostrar que ainda temos essa capacidade de superpotência. Que ainda temos nossa voz na arena mundial e que ninguém pode criar regras para nós. Assim como não vamos fazer novas regras para o mundo”, diz Chimiris.


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